O amor é indubitável?

Você só ama de verdade se esse sentimento estiver carregado de certeza? 



À primeira vista, pode parecer que sim. Acreditamos que, quando o amor surge, ele vem acompanhado de uma certeza absoluta, uma convicção inabalável que nos protege das dúvidas e das tempestades da vida. Mas será que o sentimento, na sua essência mais profunda, é imune às incertezas?  



O amor, como qualquer fenômeno humano, não está apartado das fragilidades da nossa própria existência. Sentimos, pensamos, repensamos. Às vezes, o que parecia eterno revela-se passageiro, e o que julgávamos efêmero enraíza-se em nós de forma irrevogável. A dúvida, longe de ser um sinal de falta de amor, pode ser justamente a prova de sua complexidade. Amar não é apenas sentir, mas escolher, renovar, redescobrir.  





Zigmunt Bauman acredita que o amor na modernidade é frequentemente visto como um bem de consumo: buscamos satisfação imediata, mas tememos o compromisso duradouro, pois ele exige tempo, esforço e vulnerabilidade. Dessa forma, o amor se torna "líquido", ou seja, fluido, instável, sempre sujeito à possibilidade de dissolução. Essa incerteza gera angústia, pois, ao mesmo tempo que desejamos conexões profundas, tememos a entrega total e suas consequências. 



A sociedade que vivemos, imediatista e vulnerável, enxerga dúvidas como um sinal de alerta, como se as dúvidas viessem carregadas da incerteza do amor. Contudo, o amor verdadeiro talvez não seja indubitável no sentido de ser imutável, mas sim porque, mesmo diante das incertezas, ele persiste. Não porque nunca hesitou, mas porque, apesar de tudo, escolheu permanecer.

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